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Modelo de moradia prevê acessibilidade para idosos e PCDs

15/4/2024 –

No Estado de São Paulo, iniciativas nas cidades de Bauru e Caraguatatuba seguem o modelo; especialista explica como são as moradias inclusivas nos Estados Unidos

O município de Pederneiras, localizado na região de Bauru (SP), inaugurou a “Residência Inclusiva” no último dia 05 de março. A instalação tem como objetivo acolher pessoas com deficiência intelectual e cognitiva em situação de vulnerabilidade social.

O equipamento foi entregue pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social. O local pode atender até 10 residentes e contará com o gerenciamento da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Pederneiras.

Em Caraguatatuba (SP), no litoral paulista, uma iniciativa semelhante completou o seu primeiro ano de inauguração em dezembro de 2023. A “Residência Inclusiva para PcDs (Pessoas com Deficiência) Selma Meyer Fontes”, da Prefeitura de Caraguatatuba, funciona sob a coordenadoria da Sepedi (Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência), também em parceria com a Apae.

O espaço, voltado para atender cidadãos com necessidades especiais com idade entre 18 e 59 anos sem vínculos familiares, foi a primeira instituição no Litoral Norte nesse modelo e foi custeada integralmente pela Prefeitura.

Pedro Henrique Barreto Noronha, fundador da empresa NHP Builder Homes com foco na construção de casas na Flórida, explica que, nos Estados Unidos, os imóveis adaptados para pessoas idosas ou com deficiência geralmente possuem uma série de características projetadas para oferecer acessibilidade e conforto.

Noronha é especialista em construção de imóveis comerciais e residenciais no Brasil e nos Estados Unidos, onde atuou na construção e incorporação de imóveis.

“Algumas das principais características incluem os imóveis adaptados que, muitas vezes, possuem entradas sem degraus ou rampas suaves para permitir o acesso fácil para cadeiras de rodas ou pessoas com dificuldades de locomoção”, explica. “As portas são frequentemente mais largas do que o padrão para permitir a passagem de cadeiras de rodas sem dificuldade”, complementa.

Ele também destaca que, no país norte-americano, os corredores das casas adaptadas são projetados para serem amplos o suficiente para a circulação de cadeiras de rodas ou andadores. Os banheiros, por sua vez, podem ter barras de apoio instaladas ao redor do vaso sanitário e do chuveiro, além de possuírem espaço suficiente para a manobra de cadeiras de rodas.

“Os imóveis possuem pisos antiderrapantes para reduzir o risco de quedas, especialmente para pessoas idosas. Interruptores de luz e maçanetas de portas são instalados em alturas acessíveis para pessoas em cadeiras de rodas ou com mobilidade reduzida”, reporta.

Segundo Noronha, áreas comuns, como salas de estar e cozinhas, são projetadas para facilitar o acesso e a interação para pessoas com diferentes necessidades físicas.

“Essas são as principais características dos imóveis que construímos adaptados para pessoas idosas ou com deficiência nos Estados Unidos. Essas adaptações visam promover a independência e a qualidade de vida desses indivíduos, permitindo que vivam de forma segura e confortável em suas residências”, explica.

Movimento é significativo para criação de comunidades inclusivas

Na visão do especialista em construção de imóveis comerciais e residenciais, o movimento de contemplar pessoas com deficiência ou aposentadas em imóveis com as chamadas “residências inclusivas” no Brasil é positivo e representa um passo significativo em direção à criação de comunidades mais inclusivas e acessíveis.

“Nos Estados Unidos, por exemplo, essas residências inclusivas oferecem não apenas acessibilidade física, como rampas e banheiros adaptados, mas também sistemas de automação residencial e um ambiente que promove a inclusão social e o apoio mútuo entre os residentes”, afirma. 

No Brasil, o total de habitantes com 65 anos ou mais chegou a 22.169.101 em 2022, cerca de 10,9% da população, segundo dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), compartilhados pela Secretaria de Comunicação Social. A pesquisa revelou que a população idosa aumentou 57,4% no período analisado em relação a 2010, quando o país somava 14.081.477 idosos, cerca de 7,4% da população.

A população brasileira com deficiência, por sua vez, foi estimada em 18,6 milhões de pessoas de 2 anos ou mais em 2022 – aproximadamente 8,9% da população dessa faixa etária, conforme indicativos do módulo “Pessoas com deficiência”, da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua 2022, também realizada pelo IBGE.

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